Relatório do progresso em África de 2015

Poder, Povo, Planeta

Para a África Subsariana, 2015 é um ponto de viragem. As cimeiras sobre desenvolvimento sustentável, financiamento e alterações climáticas estão a atrair as atenções gerais, não apenas para as necessidades de África de acelerar o desenvolvimento e adaptar-se ao aquecimento global, mas também para a urgência da crise energética na região. Dois em cada três africanos carecem de acesso a eletricidade.

Mas esta crise é também um momento de grande oportunidade, como demonstramos no Relatório do Progresso em África de 2015, Poder Povo Planeta: O Aproveitamento da Energia e das Oportunidades Climáticas de África. Prevê-se um aumento da procura de energia moderna, estimulado pelo crescimento económico, pelas mudanças demográficas e pela urbanização. Com os custos da energia com baixas emissões de carbono a cair, África pode avançar para uma nova era da geração elétrica. A reforma dos serviços de abastecimento, as novas tecnologias e os novos modelos de negócio podem ser tão transformadores para a energia como o telemóvel o foi para as telecomunicações.

As energias renováveis estão na vanguarda da onda de mudança que atravessa África, onde se estão a registar alguns dos mais notáveis avanços nas áreas da energia solar, geotérmica e eólica. Com os líderes mundiais a reunirem-se em Paris, em dezembro, para estabelecer um novo acordo global para as alterações climáticas, África tem a oportunidade de mostrar o caminho para um futuro com baixas emissões de carbono, sem deixar de implementar as políticas necessárias para reduzir a sua vulnerabilidade aos efeitos das alterações climáticas.

Está ao alcance da região a obtenção de um “benefício triplo”, já que as tecnologias renováveis criam oportunidades para aumentar a produtividade agrícola, melhoram a resiliência às alterações climáticas e contribuem para reduções a longo prazo das emissões de carbono perigosas.

O Relatório do Progresso em África de 2015 explica as medidas arrojadas que os líderes globais e africanos devem tomar para concretizar esta visão. Acima de tudo, o relatório demonstra que o momento climático global é também o momento de África – o momento de África liderar o mundo.

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ÁFRICA DESLIGADA

A eletricidade económica e fiável sustenta todos os aspetos da vida económica e social. Contudo, a África Subsariana sofre de uma crise energética que exige atenção política urgente. Dois em cada três africanos, cerca de 621 milhões no total, não têm qualquer acesso a eletricidade.

As consequências dos défices energéticos ainda não se fizeram sentir com força suficiente na agenda política dos governos africanos. O mesmo se aplica à comunidade internacional em geral. Sem acesso universal a serviços de energia com qualidade e quantidade adequadas, os países não podem manter um crescimento dinâmico, desenvolver sociedades mais inclusivas e acelerar o progresso com vista à erradicação da pobreza. Quando os sistemas de saúde não conseguem providenciar serviços preventivos e curativos, as pessoas que já são vulneráveis enfrentam riscos acrescidos. E quando os cortes de energia dificultam o ensino escolar, as crianças perdem uma oportunidade de escapar à pobreza e desenvolver meios de subsistência seguros.

Do ponto de vista do investimento, a substituição dos combustíveis existentes por energia moderna constitui uma oportunidade de mercado amplamente negligenciada. O acesso a sistemas energéticos modernos poderia reduzir os custos das famílias, com benefícios para a despesa e o investimento noutras áreas. A redução dos custos a metade permitiria poupanças de 5 mil milhões de dólares às pessoas que vivem com menos de 2,50 dólares, o equivalente a 36 dólares por família. Uma plausível redução de 80% nos preços aumentaria esses números para 8 mil milhões de dólares no total e 58 dólares por família. Qual é a dimensão da lacuna de investimento que tem de ser suprida em África para transformar o seu sistema energético? Estimamos que seja de 55 mil milhões de dólares por ano.

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"The effects of climate change are being felt all over the planet, but not equally" - Kofi Annan

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