Cereais, Peixe, Dinheiro

África possui o potencial de se alimentar não só a si própria, como também outras regiões, de acordo com o Relatório do Progresso em África deste ano, intitulado Cereais, Peixe, Dinheiro. O relatório salienta que o continente virá um dia a desempenhar um papel decisivo no que respeita a ajudar o mundo a satisfazer a procura mundial por alimentos, que se prevê duplicar até 2050.

Tendo em conta a crescente desigualdade que afeta o continente, as revoluções verde e azul de África podem alargar o crescimento económico aos dois terços da população africana que dependem destes setores para a sua subsistência.

A libertação destas revoluções exige que os agricultores e pescadores de África tenham um melhor acesso tanto a serviços financeiros como a infraestruturas, como estradas e armazéns. O financiamento destas infraestruturas será dispendioso, mas pelo menos alguns destes custos podem ser cobertos se a pilhagem da madeira e dos recursos piscatórios de África for travada.

Reiterando as conclusões do Relatório do Progresso em África do ano passado, intitulado Equidade nas Indústrias Extrativas, África perde dezenas de milhares de milhões de dólares todos os anos devido a práticas empresariais antiéticas e insustentáveis, incluindo a pilhagem dos preciosos recursos naturais de África, como a madeira e os recursos piscatórios, para alguns investidores e responsáveis oficiais corruptos. Esta perda de recursos naturais também exerceu um impacto negativo nos meios de subsistência e na segurança alimentar e nutricional de milhões de pessoas de toda a região.

Inovações impressionantes e políticas governamentais inteligentes estão a mudar técnicas agrícolas utilizadas há uma série de anos. Alguns países já deram início às suas revoluções agrícolas. Agora, estes sucessos devem ser alargados ao resto do continente.