Agricultura e segurança alimentar

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O sistema alimentar mundial está sob uma pressão intensa e crescente, e os agricultores africanos estão a sentir a plena força dessa pressão. Ainda há comida mais do que suficiente no mundo para alimentar todos. Mas o crescimento económico e populacional, bem como a busca de fontes de energia com baixas emissões de carbono, estão a intensificar a procura de terras aráveis, ao passo que as alterações climáticas, as restrições ecológicas e os baixos níveis de crescimento da produtividade na agricultura estão a limitar o abastecimento de alimentos.

Embora ofereçam a África algumas oportunidades, essas pressões emergentes sobre o sistema alimentar mundial também acarretam riscos muito grandes. Os preços mais elevados dos alimentos podem criar incentivos para que os governos africanos invistam na agricultura e aumentem a produtividade, ou podem conduzir a um agravamento profundo da pobreza e da subnutrição entre as populações vulneráveis. O vasto potencial inexplorado de África na agricultura pode tornar-se uma fonte de prosperidade rural e de um crescimento económico mais equilibrado, ou pode funcionar como um íman para mais investimentos especulativos, apoderamentos de terras e deslocalizações de comunidades locais.

Os mercados do carbono podem criar oportunidades para que os pequenos agricultores beneficiem dos esforços de atenuação das alterações climáticas nos países ricos, embora, até à data, os benefícios se tenham revelado limitados e o futuro de tais mercados permaneça incerto. O certo é que os agricultores africanos sofrerão as consequências das alterações climáticas perigosas, com secas e padrões pluviais imprevisíveis que reforçarão a pobreza rural e debilitarão os sistemas alimentares.

Num documento de orientação recente, “África Precisa de Uma Revolução Verde”, o Africa Progress Panel definiu uma agenda para a mudança:

• Colocar os pequenos agricultores e a produtividade da agricultura no centro das estratégias nacionais de segurança alimentar e nutrição, com especial atenção às mulheres agricultoras;

• Reforçar a proteção social e as redes de segurança alimentar;

• Desenvolver sistemas de adaptação e gestão de riscos com vista à preparação para as alterações climáticas;

• Assegurar que os recursos hídricos e fundiários de África sejam geridos de forma sustentável para que proporcionem meios de subsistência e segurança alimentar e nutricional;

• Proteger os agricultores africanos contra as aquisições de terras em grande escala que não defendam os direitos das comunidades aos recursos naturais nem promovam a segurança alimentar local ou nacional;

• Centrar as políticas nos negócios familiares para reduzir a pobreza e a dependência da agricultura;

• Reforçar os sistemas de alerta precoce e resposta a crises de segurança alimentar.

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