África tem de conquistar resultados rápidos na saúde – o momento de agir é agora

África é desproporcionadamente assolada por doenças infeciosas e infantis, mas isso também constitui uma oportunidade para ganhos céleres e “resultados rápidos” através do uso de mosquiteiros, vacinas e outros métodos de prevenção.

A doença e os problemas de saúde podem ser dispendiosos. Em primeiro lugar, podem impedir uma pessoa de trabalhar (ou estudar). Os próprios membros saudáveis da família ou da comunidade também podem estar envolvidos nos cuidados, em vez de trabalharem ou estudarem. Em segundo lugar, podem ser dispendiosos quanto ao tratamento.

Nos países de rendimento baixo e médio, a doença é o maior obstáculo à saída da pobreza. Os problemas de saúde também são um significativo fator de resistência ao crescimento económico dos países.

A Malária, por exemplo, é responsável por uma “penalização do crescimento” de até 1,3% ao ano em alguns países africanos. O VIH tem efeitos negativos semelhantes sobre o PIB. Ao longo de vários anos, essas penalizações acumulam-se até causarem diferenças substanciais no PIB.

Em comparação, os investimentos de longo prazo na saúde proporcionam elevados retornos, melhorando a produtividade e os efeitos da educação. Estima-se que cada ano de esperança de vida adicional que os países africanos consigam alcançar por via de intervenções sanitárias melhores possa aumentar o PIB da região em 4%.

Um estudo de investimento na saúde em África, que apela a um aumento do financiamento interno, sublinha que um aumento na despesa anual per capita de 21 a 36 dólares ao longo de um período de cinco anos poderia, somente no quinto ano: salvar a vida a 3,1 milhões de africanos, evitar o atraso no crescimento de 3,8 a 5,1 milhões de crianças e render benefícios económicos que poderiam ascender a 100 mil milhões de dólares.

O retorno económico do acréscimo de produtividade, da maior participação na força de trabalho, do menor crescimento da população e das poupanças acrescidas equivaleria a 11 vezes o investimento total. Além disso, o valor social e intrínseco das mulheres e crianças mais saudáveis para as famílias e as comunidades e a forte redução da mortalidade materna e infantil seriam drásticos.

A prevenção das doenças infeciosas pode originar melhoramentos rápidos na esperança de vida. Essa prevenção é relativamente barata e muitos países deveriam conseguir cobri-la com o seu próprio crescimento económico.

Em 2001, as nações africanas comprometeram-se a aumentar a despesa interna com a saúde para, pelo menos, 15% da despesa pública nacional até 2015. Com apenas um ano pela frente, somente seis países atingiram esse objetivo; entre os Estados-Membros da UA, a despesa média com a saúde não foi além de uma pequena subida de 9% para 11% entre 2001 e 2013.

Na verdade, alguns países, mais drasticamente o Chade e a Guiné Equatorial, mas também Moçambique e o Quénia, foram ao ponto de reduzir a sua despesa com a saúde.

As nações africanas têm de correr contra o tempo. A urbanização e o crescimento económico rápidos em todo o continente já estão a provocar um aumento das doenças não transmissíveis, como o cancro, as doenças cardíacas e os derrames cerebrais, bem como das lesões causadas por acidentes rodoviários. O tratamento pode ser dispendioso.

Os países africanos têm de obter resultados rápidos na saúde desde já, antes que se faça sentir um novo leque de desafios.